Religiosos, leigos, seminaristas, ministros, diáconos, agentes de pastoral, representantes de movimentos, grupos e demais forças vivas pertencentes à Arquidiocese de Manaus, se fizeram presentes na tarde desta quinta-feira (04/03) para dar o último adeus ao querido Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Manaus, Dom Sergio Castriani, falecido na noite desta quarta-feira (03/03), em decorrência de problemas de saúde. Por causa do período de pandemia que vivemos, a missa de corpo presente foi restrita apenas aos sacerdotes e alguns convidados e teve início por volta das 17h, presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Manaus, Dom Leonardo Steiner, concelebrada pelos bispos auxiliares, Dom José Albuquerque e Dom Tadeu Canavarros; pelo Monsenhor Sabino Andrade e por Dom José Ionilton, bispo da prelazia de Itacoatiara.

Não há dúvidas que foi um dia de despedidas marcado pela emoção e cheio de homenagens que começou muito antes mesmo da celebração, quando um pouco depois das 10h da manhã, o corpo do Arcebispo Emérito chegou à igreja da matriz, ao som das badaladas do sino da Catedral, para que se pudesse realizar o velório em regime de drive-thru para os que passavam em frente da Matriz de carro, mas também mantendo o controle dos fiéis que chegavam a pé para dar adeus à Dom Sergio. Tudo feito dentro das normas de segurança exigidas visando a segurança e saúde dos fiéis. Diante deste cenário, o sentimento de todos que por ali passavam, seja leigo ou religioso, era unânime, tristeza pela partida de um grande amigo, pastor e pai. “Dom Sergio era um homem de Deus, muito preocupado com o meio ambiente, saúde, educação e também em ajudar aos pobres. Um homem que ajudou muito as nossas comunidades e vai fazer muita falta”, disse uma fiel vinda da paróquia São Joaquim, do município de Alvarães, pertencente à prelazia de Tefé, onde Dom Sergio atuou por vários anos, antes de ser nomeado Arcebispo de Manaus pelo Papa Bento XVI, em dezembro de 2012.

Natural de Regente Feijó (SP), mas com mais de 40 anos vivendo na Amazônia, Dom Sergio era muito querido e reconhecido por todo trabalho que desenvolveu ao longo dos anos e pelo legado de amor ao irmão mais necessitado que deixou. “Dom Sergio foi a presença amorosa de Deus nas populações mais distantes e é assim que vamos guardar essa memória saudosa de um homem que foi a habitação de Deus no meio de nós”, disse Pe. Zenildo Lima, Reitor do Seminário Arquidiocesano São José. “Somos gratos a Deus por Dom Sergio ter habitado entre nós, ele conhecia a Amazônia como poucos e sempre valorizou a importância de estar no meio do povo”, comentou Pe. Charles Cunha, diretor superintendente da Rádio Rio Mar. “Dom Sergio era um grande missionário e não veio para a Amazônia para passear, ele fez da Amazônia a casa dele, a Terra dele.. a família dele”, finalizou Dom Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus.

O velório se estendeu até por volta das 17h quando teve inicio a celebração, durante esse meio tempo recebeu inúmeros fieis seja de carro ou a pé e, dentro da programação do velório,  teve a oração do terço às 15h, depois as 16h teve a presença da cantora amazonense Ketlen Nascimento e, as 16h30, o poeta e escritor amazonense, Celdo Braga, proclamou o poema Rio Amazonas. Às 17h em ponto, Pe. Zenildo muito emocionado deu inicio a celebração dando as boas vindas a todos e compartilhando algumas memórias da vida de Dom Sergio, na sequência, representantes de diversas pastorais realizaram o translado do corpo de Dom Sergio para dentro da Catedral, acompanhado por Dom Leonardo e demais bispos presentes. “Dom Sergio sempre teve muito carinho pela igreja laical e pelos leigos, que são o povo de Deus que evangeliza, por isso nada melhor do que representantes da alguns movimentos como: Terço dos Homens, Pastoral Familiar, Comidi, Pascom, Pastoral do Povo de Rua e Pastoral Vocacional fazerem este translado até diante do altar”, explicou Pe. Geraldo Bendaham, coordenador de pastoral arquidiocesano. 

Missa e funeral para um amigo, pai e pastor

Dentro da igreja, o clima de muita emoção continuava e podia ser percebido no semblante de todos que estavam presentes. A cada prece, a cada canção, a cada momento da celebração, tudo fazia lembrar aquele pastor de sorriso singelo, de olhar meigo e voz calma, que tantas vezes esteve em pé naquele altar orando por nós e agora se fazia deitado diante dele, recebendo nossas orações. “Aqui estamos queridos irmãos e irmãs, para render graças por esta vida, por este ministério, por este pastoreio. Como é bom podermos agradecer a Deus por uma vida dedicada ao evangelho, por uma vida missionária e tomarmos essa vida como inspiração para a nossa igreja. Agradeço a participação de todos que nos acompanham por meio dos veículos de comunicação, especialmente aos irmãos de Dom Sergio que nos deram um irmão, para ser o nosso pai”, disse Dom Leonardo ao dar as boas vindas.

Em sua homilia, o Arcebispo fez sua reflexão ressaltando o lema episcopal de Dom Sergio “Habitou entre nós”. “Hoje nos despedimos desse nosso irmão e pai. Irmão porque é conosco em Cristo Jesus, pai porque é pastor, pai porque paternal quase mais maternal. Pai porque não suportava deixar ninguém sem casa, nem guarida. Irmão porque próximo de todos, especialmente dos pequenos e desprotegidos. Na pandemia a preocupação que manifestava era realmente com os nossos irmãos e irmãs que vivem nas nossas ruas, com os imigrantes, como os nossos pobres. Quantas vezes ele me perguntou: vocês estão cuidando dos moradores de rua? Com o fio de voz que lhe restava, desejava recordar-nos onde e como e com quem deveríamos estar. Pai, pois Bom Pastor, magnânimo, dedicado, afetuoso, atencioso, suave cuidando de todos como filhos e filhas”, disse Dom Leonardo em um dos trechos de sua homilia (confira na íntegra clicando no link https://url.gratis/FKTQk.

Tal cuidado com os irmãos e irmãs que vivem nas ruas não são apenas palavras bonitas, ditas da boca para fora apenas para impressionar. Dom Sergio realmente viveu essa missão, inclusive foi a Pastoral do Povo da Rua uma das primeiras pastorais que ele se dedicou, logo depois que se ordenou padre, atuando pelas ruas de São Paulo em busca de ajudar os pobres sem teto. E, ajudar ao povo da rua foi um dos últimos pedidos que ele fez ao diácono e amigo Ruzeval Cardoso, que há anos vem servindo dentro desta pastoral. “Posso definir Dom Sergio em duas palavras: humildade e simplicidade, isso eu aprendi com ele. Um pai que elogia, mas que chama a atenção quando é necessário e ele sempre incentivou e orientou a estar mais próximo dos irmãos mais necessitados. Isso faz parte da minha dimensão diaconal que é a caridade e muito me emociona ao lembrar que ele pediu para continuar na pastoral do povo de rua, principalmente agora neste período de pandemia que eles estão mais desamparados”, disse o diácono emocionado.

Após o momento de comunhão, Pe. Zenildo leu um comunicado de Roma do Superior Geral da Congregação do Espirito Santo, a qual Dom Sergio fazia parte dando os pêsames pela perda e ressaltando algumas virtudes desse grande missionário. E, na sequencia. foi realizado as exéquias com a benção dos bispos presentes e em seguida os presbíteros e diáconos conduziram o corpo de maneira cuidadosa até a entrada da igreja, onde o jazigo preparado aguardava pelo sepultamento, o mesmo mausoléu que também guarda os restos mortais do bispo Dom José Lourenço da Costa Aguiar; do arcebispo  Dom Milton Corrêa Pereira e do bispo auxiliar Dom Jackson Damasceno Rodrigues. Sem dúvidas foi o momento mais emocionante de toda a celebração, foi difícil conter às lagrimas, deixando tanto os fiéis que acompanhavam de casa pelos veículos de comunicação e redes sociais, quanto os leigos e religiosos que estava presentes com lágrimas nos olhos. E assim, ao som da canção “Com minha mãe estarei”, Dom Sergio se dirigiu à sua morada eterna. “Agradecemos a presença de todos que acompanharam a despedida de Dom Sergio, que permanece no meio de nós, que cremos na vida eterna e na ressurreição”, disse Dom Leonardo. 

Fonte: Arquidiocese de Manaus

Comentários

Postagem Anterior Próxima Postagem