Jesus, vê as multidões cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Caminham errantes sem direção, daí o cansaço e o abatimento. Abatidas e desnorteadas, pois sem norteadores, sinalizadores, indicadores de esperança. Caminham sem a força do Espírito! Ele se compadece e envia os discípulos para anunciar o Reino novo, o da liberdade, da justiça, da verdade, do sentido para a vida humana. O Reino da vida plena! O Reino, capaz de superar o abatimento e o cansaço, pois espírito novo.

Jesus compadeceu-se! Compaixão faz ver as realidades como são; a compaixão é como a lente do coração: faz entender as realidades mais profundas e mais necessitadas das pessoas. Ao ver a aflição do povo de Israel no Egito, Deus diz a Moisés “vi a dor do meu povo” (Ex 3,7). É a compaixão que envia Moisés para salvar o povo. Deus é um Deus de compaixão, e a compaixão é a fraqueza de Deus, mas também a sua força. É o que de melhor nos ofereceu, pois foi a compaixão que levou o Pai a enviar-nos o Filho. A compaixão é a linguagem de Deus. A compaixão é confiança no amor providente do Pai e significa partilha amorosa (cf. Papa Francisco, Angelus, 02/ 08/2020).

Jesus sente muitas vezes compaixão. A sua compaixão, sua ternura para com as multidões não é sentimentalismo, mas manifestação concreta do amor que cuida das necessidades das pessoas, seja do corpo, seja do espírito. Nos caminhos e encontros, Jesus encontra gente simples, pobre, doente, pecadora, marginalizada, cansada. Multidões que necessitavam de uma palavra de esperança, de força, de vida nova. Multidões cansadas e desgarradas, como ovelhas sem pastor. Encontra e busca para oferecer o remédio para a cura do cansaço e do abatimento. 

Ao ser atingido pela compaixão, Jesus envia para o meio da multidão os discípulos a proclamar que o Reino está próximo. O Reino novo oferece indicações para despertar do abatimento e do cansaço: “Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios.” Sinais de transformação, de elevação, de saúde corporal e espiritual diante do inquietante abismo aberto entre o modo de viver e a maturidade espiritual. Muitos se veem empobrecidos por seu dinheiro e pelas coisas que pensam possuir e advém o cansaço da vida e a indiferença para com a grandeza do Espírito. 

O amor compartilha, acolhe, se compadece, enobrece as relações, desperta confiança, vence o demônio da violência, da ganância. O amor é liberdade, gratuidade, pois “de graça recebestes, de graça deveis dar!” O amor é gratuito, generoso, desperta para realidades não imaginadas, faz experimentar verdades que aliviam o cansaço e o abatimento. O compadecimento provoca a amar. É que o amor não tem exigências, é livre e libertário, pois pede simplicidade, acolhimento, amizade, solidariedade, atenção gratuita ao outro, fidelidade. 

Cardeal Leonardo Steiner

Arcebispo de Manaus

Fonte: Arquidiocese de Manaus

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